Sobre

Meu novo tempo! Meu novo-velho templo!

Minha busca é antiga mas somente em alguns momentos ela parece conseguir verbalizar-se sozinha.

Deixo aqui notas de meu aprendizado, sem finalidade ao Ego; Mas deixo como registro de alguém que á muito se descalça e olha para o mundo com imenso amor!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Atemporal


Como poderia eu não me lembrar desse detalhe?
Foi ai que pensei no quanto o tempo pode ser irrisório para os sentidos! 
Que incrivel é o peso que ele não tem! 
Ou seja, essa história “que com o tempo tudo melhora”, ou “que tudo passa com o tempo” não é necessáriamente verdadeira para os sentidos! 




Venho a algum tempo martelando algo em minha cabeça; Algo que pode ser explicado como coincidencia ou nada se preferirmos olhar sem tanta atenção, mas o fato é que acredito que o tempo que conhecemos não tem o peso que muito de nós aprendemos que ele tem quando repetimos frases como “o tempo cura” , ou “amanhã é outo dia”.
Uma observação totalmente despretenciosa me fez refletir sobre a capacidade que temos de reviver, gostar ou gozar de novo de coisas que em outro momento já nos foram prazerosas ou importantes.
Na minha viajem ao Chile o ano passado, sem perceber, pude novamente me “apaixonar” pelo mesmo tipo de suco que em um antes, mesmo sem me lembrar já o tivesse como preferido! É óbvio que essa observação somente foi possivel porque uma pessoa com algum nível de intimidade me alertou sobre o fato quando eu exclamei após um longo gole: Que tinha adorado aquele suco!
Então ao ser alertada que aquele sempre foi meu suco predileto, minha mente percorreu longos 14 anos atrás...
Como poderia eu não me lembrar desse detalhe?
Foi ai que pensei no quanto o tempo pode ser irrisório para os sentidos! Que incrivel é o peso que ele não tem! Ou seja, essa história “que com o tempo tudo melhora”, ou “que tudo passa com o tempo” não é necessáriamente verdadeira para os sentidos! Pode ser que para a mente ou para a forma que temos a necessidade de absorver as coisas, o conceito de tempo seja realmente necessario para retirar o peso, ou amenizar as ansiedades das coisas que acontecem na raiz mais misteriosa que é o sentimento, mas modificá-las em sua importância não acho ser totalmente possivel.
Podemos nos questionar, o porque um detalhe tão pequeno como esse pode ter levado essa garota a refletir sobre o tempo, mas é exatamente isso, um detalhe despretensioso que de alguma forma não racional te leva a reviver uma sensação tão igualmente prazerosa (Suco) que te faz ter a certeza que nós temos a capacidade de gostar sempre, ou de novo das mesmas coisas, tendo ou não a nossa mente ou razão dado nome ou sobrenome a elas ...
O porque isso é tão importante? Para mim é importante porque me faz perceber que o tempo nada mais é que uma forma conjecturada de dar nome a tudo que absorvemos pelos sentidos; E a forma como “sabemos” mapeá-las dentro de nós mostra ser falha porque não pode exatamente anular a satisfação ou decepção de cada coisa externa que podemos absorver com os nossos sentidos.
Isso explicaria por exemplo o porque traumas afetam tanto nossa forma de absorver a vida, e o porque podemos reviver as mesmas sensações causadas pelo traumatismo; E quando utilizo essa palavra, me utilizo mesmo do sentido aurélio conhecido, porque o estado físico ou psíquico resultante dessas lesões são edificantes ou destruidoras;
O fato é que quando uma vez transformadas, ou seja absorvidas e sentidas não poderão adotar outra forma, passe o tempo que passe...
O suco foi apenas um exemplo da prova sensorial que a vida nos concede,
Cabe a nós o observar mais consciente.


Claudia Venegas [2015]

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