Como poderia eu não me lembrar desse detalhe?
Foi ai que pensei no quanto o tempo pode ser
irrisório para os sentidos! Que incrivel é o peso que ele não tem!
Ou seja, essa história “que com o tempo tudo melhora”, ou “que tudo passa com o tempo” não é necessáriamente verdadeira para os sentidos!
Venho a algum tempo martelando algo em minha cabeça; Algo
que pode ser explicado como coincidencia ou nada se preferirmos olhar sem tanta
atenção, mas o fato é que acredito que o tempo que conhecemos não tem o peso
que muito de nós aprendemos que ele tem quando repetimos frases como “o tempo
cura” , ou “amanhã é outo dia”.
Uma observação totalmente despretenciosa me fez refletir
sobre a capacidade que temos de reviver, gostar ou gozar de novo de coisas que
em outro momento já nos foram prazerosas ou importantes.
Na minha viajem ao Chile o ano passado, sem perceber, pude
novamente me “apaixonar” pelo mesmo tipo de suco que em um antes, mesmo sem me
lembrar já o tivesse como preferido! É óbvio que essa observação somente foi
possivel porque uma pessoa com algum nível de intimidade me alertou sobre o
fato quando eu exclamei após um longo gole: Que tinha adorado aquele suco!
Então ao ser alertada que aquele sempre foi meu suco
predileto, minha mente percorreu longos 14 anos atrás...
Como poderia eu não me lembrar desse detalhe?
Foi ai que pensei no quanto o tempo pode ser irrisório para
os sentidos! Que incrivel é o peso que ele não tem! Ou seja, essa história “que
com o tempo tudo melhora”, ou “que tudo passa com o tempo” não é
necessáriamente verdadeira para os sentidos! Pode ser que para a mente ou para
a forma que temos a necessidade de absorver as coisas, o conceito de tempo seja
realmente necessario para retirar o peso, ou amenizar as ansiedades das coisas
que acontecem na raiz mais misteriosa que é o sentimento, mas modificá-las em
sua importância não acho ser totalmente possivel.
Podemos nos questionar, o porque um detalhe tão pequeno como
esse pode ter levado essa garota a refletir sobre o tempo, mas é exatamente
isso, um detalhe despretensioso que de alguma forma não racional te leva a
reviver uma sensação tão igualmente prazerosa (Suco) que te faz ter a certeza
que nós temos a capacidade de gostar sempre, ou de novo das mesmas coisas,
tendo ou não a nossa mente ou razão dado nome ou sobrenome a elas ...
O porque isso é tão importante? Para mim é importante porque
me faz perceber que o tempo nada mais é que uma forma conjecturada de dar nome
a tudo que absorvemos pelos sentidos; E a forma como “sabemos” mapeá-las dentro
de nós mostra ser falha porque não pode exatamente anular a satisfação ou decepção
de cada coisa externa que podemos absorver com os nossos sentidos.
Isso explicaria por exemplo o porque traumas afetam tanto
nossa forma de absorver a vida, e o porque podemos reviver as mesmas sensações
causadas pelo traumatismo; E quando utilizo essa palavra, me utilizo mesmo do
sentido aurélio conhecido, porque o estado físico ou psíquico
resultante dessas lesões são edificantes ou destruidoras;
O fato é que quando uma vez transformadas, ou seja
absorvidas e sentidas não poderão adotar outra forma, passe o tempo que
passe...
O suco foi apenas um exemplo da prova sensorial que a vida
nos concede,
Cabe a nós o observar mais consciente.
Claudia Venegas [2015]
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Claudia Venegas



