Brasil, verbalizando 2007.
“Voltei para casa descalça, cortei os pés pisando minhas pedrinhas pelo caminho; Não verbalizei palavras porque não faria sentido; Não encontrei o porque de explicar o que não se explica, por mais que eu buscasse essa explicação naquele momento uma sensação de perda me invadiu, exortou meus pensamentos...”
Machuquei meus pés porque as pegadas que dei foram profundas, sempre são!Mas eu não perdi nada porque nada nunca foi meu! Por mais que eu quisesse assim...(que limitação!).Exercito-me repetindo isso todos os dias! Mas na mistura me esqueço! Perco-me!Construí na mente o sabor daquilo que surge somente com o tato, pelo falso ato de proteção! Mas Proteger-me de que?Meus medos são internos, meus medos não são de ninguém! Ninguém quer levar nada de mim! Mas como sempre, coloco um peso enorme encima de tudo que sinto! Encima de mim, das coisas que acredito, como uma bíblia santa que eu decorei; Como se a felicidade me retirasse do caminho verdadeiro da alma, pois a sensação dessa felicidade em mim é sempre parcial!Mas quando abro os olhos e deixo Deus falar no meu coração, tudo perde o peso e sinto novamente a minha tolice invadindo-me a luz do sol, despejando algumas lágrimas por instinto! Sinto que o correto é entregar ao sábio minha imaturidade, e jogo o que não entendo ao Universo, a Deus!Entrego a ele porque não sei, porque não sei o que fazer com como me sinto!Quando estou confusa, tenho medo de viver, de deixar as coisas fluírem sem me responsabilizar pelo o que o outro espera ou deixa de esperar.Tenho um cuidado extremo com os que me rodeiam e começo a anular meu desejo mais verdadeiro!Minha busca não humana que nesse mundo perde a força todos os dias!Quando penso em mim com racionalidade e carinho, quando consigo separar me das coisas, sinto a frieza invadir os olhos das expectativas externas, sinto-me egoísta! Um dedo para cada parte de meu corpo; Já que o “bem” mais precioso que aprendi na Terra foi amar, respeitar e cuidar! Trago isso do berço, uma poesia que não deve se limitar!Ser sincera comigo mesma é uma lição que aprendo a anos com a vida, e não consigo aprender por inteiro, direito; Deixar que a vida flua sem mais nem porquê; Deixar de me perder, ou de achar que me perco; Deixar que meu quadro se pinte dia a dia, sem culpa ou responsabilidades que não sei ter; Porque eu não sei ter!Mas depois da mistura vem o medo da perda de algo que nunca foi meu, vem a fuga! E o peso de toda filosofia perde sentido, não me lembro das páginas que li nos livros, nem da sabedoria adulta que adquiri com meu sofrimento e alegria nas várias situações parecidas que vivi;Não me lembro com exatidão o que eu estou fazendo aqui nesse mundo, o porque das relações humanas, da relação de dois, Do par! Sinto vazio! Uma bússola sem direção!Não existe uma tese escrita até hoje que sustente a lógica de que podemos controlar isso! Eu não posso, às vezes eu não posso! Eu posso optar não viver isso, não querer mais essas sensações, mas não sou sincera com o de dentro, porque desse desconheço origem!Quando nos instalamos no olhar, no cheiro, nos medos, na vida do outro, na fragilidade que é onde encontramos a poesia de cada ser, perdemos a racionalidade por momento, porque o sentir é maior, é forte, é mais único! E o ego cobra a liberdade, a falsa liberdade do medo! A falsa liberdade da distância e então o vazio se transforma em espinho, porque não posso racionalizar com meus cinco sentidos humanos, o que não controlo, o que surge em mim!Sou um aprendiz da vida e aprendi que erramos porque sentir é nossa maior virtude e nosso maior ópio!E que pessoas não podemos possuir, tê-las ali ao nosso lado sempre que nos encantamos! Anulando sua essência, buscas, quando queremos atenção, aplausos!Pessoas são individuais, unilaterais por isso nos apaixonamos; Levamos conosco as sensações que experimentamos com elas, mas matéria mais matéria não se conjuga!Posso levar delas, os sonhos de cada dia ou parte de algo que me entregam, mas não posso colocar nelas o que o eu gostaria!Posso levar delas as expectativas, como posso deixar com elas minhas expectativas; Posso levar minhas responsabilidades, como posso deitar sobre elas todo peso dessas responsabilidades.E eu já sei andar sem antes dormir todas essas sensações reticentes que ainda não se deitam, e percebo que não existe um lugar só para mim e desejo que me abrace esse abraço, que me beije esse beijo; Mas aceito que somente posso ser responsável pela beleza que deixo, que consegui deixar.Porque muitas sensações enganam, cegam, estabelecem desde o primeiro momento um prazo de validade, um prazo para a partida!E eu já não quero mais dessas frases! Porque confesso que não entendo o que é o amor entre duas pessoas!Ou não aceite que ele possa ser tão simples como é!E enquanto eu não descubro o simples disso, continuo na busca do incondicional e vou acostumando os meus pés aos meus sapatos, sem esperar aprovações de números por tudo o que não posso dar! Por tudo que eu não sei dar...Por não saber fazer diferente, por não saber verbalizar, verbalizando...Jogo o que não entendo ao Universo, jogo a ele meu coração!
Claudia Venegas
22:40
Claudia Venegas




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